Yur Saiednac

Novos mundos... mundos novos... novos rumos...

Perfil
PSEUDÔNIMO: "Yur Saiednac"

NOME: 
  Rui Manuel de ASCENÇÃO RAMOS CANDEIAS 
  
Rui Candeias"

DATA DE NASC.: 01 de Outubro de 1947

FILIAÇÃO: 
PAI - António CANDEIAS
MÃE -
D. Adélia de ASCENÇÃO RAMOS Candeias

AVÓS:
PATERNOS -
 Joaquim CANDEIAS/ D. Isabel de JESUS RAMALHO Candeias
MATERNOS - João RAMOS/ D. Maria de ASCENÇÃO Ramos

NACIONALIDADE: Cidadão do Planeta TERRA

Brasileiro Português de Angola.
Criado e educado em Angola, no Zaïre e no Brasil.
Ex-combatente da guerra de Angola.
FILÓSOFO; MÍSTICO; AMANTE E PROTETOR DA NATUREZA.
Franco; sincero; ético e correto, abomina qualquer tipo de descriminação e/ou segregação, detesta falsidades e traições.

NATURALIDADE :
1.- Município de Vila Mariano Machado, Distrito de Benguela. Esta vila mais tarde, ascendeu á situação de cidade e tornou-se cidade de Mariano Machado. após a independência de Angola, passou a chamar-se cidade da Ganda. Situa-se no centro–sul de Angola - Segundo registro e cédula de nascimento angolana.

2.- Cidade de Castelo Branco, Província da Beira Baixa, em Portugal Continental, segundo registro e cédula de nascimento portuguesa.

FORMAÇÃO PROFISSIONAL: Administração e Comércio Exterior

CARGOS E ATIVIDADES:

PRESIDENTE das Entidades:
- PVB-FAMA(Projeto Vida Brasil-Fiéis Amigos do Meio Ambiente).
- INICCMA (Instituto Nacional de Investigação Científica e Criminal do Meio Ambiente).
- CBA (Câmara Brasil-Angola)
- ACBV (Automóvel Clube de Barra Velha).

-  CONSULTOR EMPRESARIAL: Em COMÉRCIO EXTERIOR e em MEIO AMBIENTE.
-  TÉCNICO: Em Meio Ambiente
-  REPRESENTANTE COMERCIAL

-  EDITOR Do Jornal e Revista "ECO Ambiental Brasil".
-  EDITOR e Delegado no Brasil, da Revista "Comércio Externo" de Angola.
-  DELEGADO/Correspondente, no Sul do Brasil, da Revista "África Hoje" 
-  JORNALISTA; COLUNISTA; CONTISTA; POETA e ASPIRANTE A ESCRITOR
-  CO-AUTOR de elos & anelos.

N.A.:
Quando por morte de meu pai, ocorrida em Angola em finais do ano de 1987, bem após a independência deste país, minha mãe veio residir comigo no Brasil. Com a a sua mudança, vieram alguns documentos antigos, entre os quais encontramos documentos que comprovavam o meu registro angolano.
  
Surpreso ao descobrir a minha dupla condição de registro de cidadania, questionei a minha mãe a esse respeito e dela obtive a justificação de tal situação e da sua omissão: Segundo ela, á época de meu nascimento, grassava em Portugal continental e nas colônias, á semelhança de outras colônias e países, uma forte segregação racial e uma discriminação enorme, tanto para com os afro-descendentes, quanto para com os luso-descendentes (de cor de pele branca ou morenos claros) nascidos na colônia (rotulados de brancos de 2ª), os quais eram preteridos e fruíam de salários menores em relação aos portugueses genuínos (ou brancos de 1ª como eram conhecidos), nascidos em Portugal Continental.

Por outro lado, os naturais da Colônia, deveriam obrigatoriamente usar passaporte e ter visto de entrada para visitarem ou viajarem a Portugal, mediante aprovação dos justificados motivos da viagem. 

Ao ter a confirmação de sua gravidez por volta já do 3º mês de gestação, minha mãe entrara em pânico, pois naquela época, a assistência médica na colônia era deficiente e muito precária e era enorme o risco de enfrentar, em estado de gravidez, uma viagem de barco demasiado longa na época (
mais de um mês) e agravada, á passagem da linha do equador, pelas alterações meteorológicas e correntes marítimas. Nessa época não havia ainda ligação aérea com o continente.

No intuito de me poupar a humilhações ou dissabores futuros, meus pais idealizaram um plano segundo o qual minha mãe deveria ficar recolhida (isolada) na fazenda até ao meu nascimento, apenas sob os cuidadados e na companhia das amas de confiança, (como se da família fossem), longe da civilização e dos vizinhos.

Certo dia, já em fim de tempo e quase não conseguindo mexer-se em virtude do grande volume e peso de sua barriga, depois de um breve repouso em seu leito e ao levantar-se para se aprontar para jantar com meu pai no salão, apoiou-se, sentada, na beira da cama e sentiu escorrer um liquido pelas coxas e de supetão sentiu o peso diminuir no seu ventre e algo volumoso escorregar pelas suas pernas.

Ao olhar para baixo, deparou-se comigo no chão junto aos seus pés, com parte do corpo debaixo da cama.

Gritou por meu pai que se apressou a cortar o cordão umbilical e me entregou para ela para que procedesse á minha primeira higiene e limpeza, com a ajuda das amas.

Após o meu nascimento, mantiveram-me sempre na fazenda, longe de olhares indiscretos e tomaram a decisão de viajarem comigo a Portugal com o pretexto de visitarem a família. Discreta e furtivamente embarcaram pela madrugada sem olhares curiosos, confinando-se 
de imediato a minha mãe  ao camarote, de onde não se ausentaria durante a viajem, em virtude de pressupostos terríveis e constantes enjôos.
 
Á sua chegada a Portugal e com a ajuda de amigos, registraram-me como português ali nascido, escondendo eles, doravante, meu registro e documentos angolanos, mantendo apenas a minha documentação portuguesa.

Meu pai voltaria pouco depois a Angola, pois não poderia deixar os negócios á mercê do administrador e do capataz e justificaria a ausência da esposa, alegando que ela teria engravidado a bordo durante a viajem de ida e fora aconselhada pelo médico a não viajar de volta a Angola nesse estado.

​O meu regresso a Angola na companhia de minha mãe, dar-se-ia cerca de dois anos após. 

Mais tarde, o término da ditadura salazarista em Portugal, tornou real a inclusão social e a extinção da colônia que passou a ser território autônomo, denominado “Província de Angola” e culminou com a abolição da segregação / discriminação e a implantação da igualdade de direitos civis e sociais entre os naturais do continente e das colônias e com a paridade monetária entre o Escudo (moeda de Portugal) e o Angolar (moeda da Província de Angola).

Em 1961, começaram as convulsões beligerantes nas Colônias e a partir desse marco, desenvolveu-se o fluxo migratório de e para o continente e para o Brasil, onde meu pai dera início a contatos comerciais. Pela influência dos gibis; livros; revistas jornais; telereportagens nos filmes; jogadores de futebol e pilotos de automobilismo (F1) brasileiros, acabei escolhendo o Brasil para terminar a minha formação e viver.

De origem euro-africana, 
casei no Brasil com uma genuina brasileira, de origem polonesa e ucraniana por parte da mãe e de origem italiana, portuguesa e bugre por parte de pai.
Aqui nasceram filhos e netos.

Me sinto imensamente feliz pela miscelânea de raças, de pigmentações de pele e dos tipos de sangue que pelas veias correm em mim, meus filhos e netos e por esse motivo sou, com muito orgulho:

 
BRASILEIRO, PORTUGUÊS DE ANGOLA.

BRASILEIRO por adoção, por opção e do fundo do coração...
PORTUGUÊS por origem e ascendência...
ANGOLANO por nascimento...
 
E... como é bom... sentir-me cidadão do mundo...
 
Yur Saiednac

(Nota biográfica escrita por Yur Saiednac em NOV.27,2009)
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